Páginas

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Pedido




Entrego-me
Modele-me
Liberte-me
Já não quero ser a outra
Quero ser uma nova pessoa
Tire-me deste marasmo,
 Afugente o meu mal,
Quero me esvaziar
Não demore, eu preciso sair de mim
 Tirar a capa velha,
Desmascarar a tristeza escondida,
Dissolver o amargo da alma.
 Não quero camuflar a alegria,
 Nem sorrisos passageiros,
Quero autenticidade
Nas atitudes tomadas
Sozinha eu não consigo.
  Dora Duarte

sábado, 16 de setembro de 2017

Há um barco à deriva





Há um barco sozinho na calmaria do mar.
 Não houve tempestade, nem vento
Parece abandonado.
Um ponto azul perdido no mar imenso
Quem o abandonou à deriva?
Alguém se aproxima curiosamente verifica
 Dentro há deserto, vestígio de solidão.
Somente peixes  ainda a debater-se
Mas, não há ninguém...Quanto mistério!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Casinha Pequenina


                                               

A tua “casinha pequenina” nem sei,
Que cores tem as janelas
Não sei se são azuis,
Ou se são  amarelas.
Ora se nem das paredes eu sei
Só sei quem mora dentro dela
 Se há 

em volta um florido jardim
 Muro, árvores e passarinhos,
Beija-flores borboletas e jasmins...
Não importa, importa a simplicidade,
A  tua semelhança enfim
 O espelho da tua alma
Simples assim.
             Dora Duarte

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Passáro Cativo(Olavo Bilac)






O Pássaro Cativo
Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
             A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Porque é que, tendo tudo, há de ficar
             O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
             Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:
             “Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
             Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
             Tenho frutos e flores,
             Sem precisar de ti! 

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi ...
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas ...
             Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
             Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade ...
             Quero voar! voar! ... “
Estas cousas o pássaro diria,
             Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
             Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
             A porta da prisão... (Olavo Bilac)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Espinhos




Espinhos

 
Qual deles dói mais quando espeta?
Nem  é o da laranjeira
 Muito menos o da flor

 Espinho que mais incomoda
São os espinhos no caminho do amor

 Nem dói tanto do cacto espinhoso
Do limoeiro,nem comparação...
Espinho que espinha mesmo
É aquele que transpassa o coração.


(Dora Duarte)
Copyright © 2011 Fazenda de poemas poesias e contos.
Template customizado por Meri Pellens. Tecnologia do Blogger